Contraf-CUT manifesta apoio ao religioso, referência na defesa dos direitos humanos, e denuncia ataques políticos e intolerância contra quem atua ao lado da população em situação de rua
Contraf-CUT manifesta apoio ao religioso, referência na defesa dos direitos humanos, e denuncia ataques políticos e intolerância contra quem atua ao lado da população em situação de rua
Reconhecido nacionalmente por seu trabalho junto à população em situação de rua, o padre Júlio é uma das principais vozes na defesa dos direitos humanos na capital paulista. Sua atuação pastoral e social, voltada ao acolhimento, à denúncia das desigualdades e à garantia de dignidade aos mais pobres, tem sido alvo frequente de ataques de setores conservadores e da extrema direita, que tentam deslegitimar e criminalizar sua missão.
As missas celebradas por Lancelotti eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), pelo portal ICL e pelo YouTube, ampliando o alcance de uma mensagem pautada na solidariedade, no respeito e na justiça social. A suspensão das transmissões foi comunicada pelo próprio padre durante a celebração do último domingo (14), o que provocou forte reação de apoiadores, religiosos e movimentos sociais.
Em nota pública, o padre Júlio reafirmou sua pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo e esclareceu que não procede a informação sobre sua transferência da paróquia. As celebrações seguem sendo realizadas normalmente aos domingos, às 10h, na Capela da Universidade São Judas – Mooca, enquanto as redes sociais permanecem inativas durante um período de recolhimento temporário.
Para a Contraf-CUT, o contexto em que a decisão ocorre não pode ser dissociado da escalada de ataques políticos ao religioso. Recentemente, parlamentares de extrema direita chegaram a divulgar abaixo-assinados e vídeos pedindo seu afastamento das atividades religiosas, numa tentativa explícita de silenciar uma atuação que incomoda por expor o abandono social e a violência cotidiana enfrentada pela população mais vulnerável.
O secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, destaca que os ataques ao padre Júlio também revelam o racismo estrutural presente na sociedade brasileira. “O padre Júlio Lancelotti é uma voz que denuncia, todos os dias, a exclusão social e o racismo que atingem principalmente a população negra em situação de rua. Quando tentam silenciá-lo, tentam também invisibilizar essa realidade e calar quem luta pela dignidade humana. A Contraf-CUT se solidariza com o padre Júlio e reafirma que defender os direitos humanos, combater o racismo e estar ao lado dos mais pobres não é crime, é um dever ético e social.”
A Contraf-CUT reafirma seu compromisso histórico com a defesa dos direitos humanos, da democracia e da justiça social e se soma às inúmeras manifestações de apoio ao padre Júlio Lancelotti, entendendo que nenhuma sociedade pode avançar enquanto tenta calar quem luta pelos que mais precisam.
