Encontro começou ontem (2) em São Bernardo e prossegue nesta sexta-feira, com a participação do movimento sindical, universidades, conselhos profissionais, parlamentares e entidades da sociedade civil
Encontro começou ontem (2) em São Bernardo e prossegue nesta sexta-feira, com a participação do movimento sindical, universidades, conselhos profissionais, parlamentares e entidades da sociedade civil
O Sindicato participou, nesta quinta-feira (2), da abertura da 1ª Conferência Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais. O encontro, que prossegue hoje, reúne representantes do movimento sindical, universidades, conselhos profissionais, parlamentares e entidades da sociedade civil para discutir os impactos da inteligência artificial (IA) no mundo do trabalho, além de apresentar propostas para garantir proteção social, democracia digital e justiça tributária.
Organizada pelo Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (INIADS Brasil) em parceria com outras entidades, entre as quais o Sindicato, a conferência representa novo capítulo na articulação entre tecnologia e direitos sociais, colocando os trabalhadores no centro das decisões sobre a regulação da IA. mesa de abertura foi composta por Gheorge Vitti, presidente do nosso Sindicato; Moisés Selerges, presidente dos Metalúrgicos do ABC; Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese; Aroaldo Oliveira, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC; e José Vital, presidente do INIADS Brasil.
Gheorge apresentou dados de um estudo feito pelo Departamento intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos que aborda os impactos da Inteligência Artificial no setor bancário – “Inteligência Artificial, Bancos e o Futuro do Trabalho”. Ele destacou como a Inteligência Artificial (IA) e a IA Generativa (GenAI) já estão transformando o setor bancário, especialmente no Brasil, com o aumento dos investimentos em tecnologia, a reconfiguração dos canais de atendimento e a centralidade da IA como motor de inovação e eficiência. Embora os investimentos em tecnologia tenham crescido, a redução e externalização do atendimento físico, com fechamento de agências e postos de trabalho, vem causando sobrecarga de trabalho, demissões e adoecimento. Dados apresentados em 2024 apontam que oito em cada 10 transações bancárias são feitas por meio de canais digitais.
Gheorge também alertou para os impactos dessa transformação no emprego bancário, trazendo dados sobre a evolução das ocupações em tecnologia e sobre a redução de funções tradicionais. “São necessárias políticas de qualificação profissional, mitigação de riscos e regulação responsável da IA”, apontou, lembrando que “a tecnologia pode ser um instrumento de inclusão ou exclusão. Para nós, trabalhadores e sindicatos, é fundamental garantir que a inteligência artificial venha acompanhada de diálogo social, negociação coletiva e proteção dos empregos, pois só assim conseguiremos transformar esse processo em oportunidades, e não em mais desigualdade”, afirmou.
“A inteligência artificial pode transformar profundamente o mundo do trabalho, mas é fundamental que essa transformação seja guiada pela defesa dos direitos dos trabalhadores e pela justiça social. Estamos comprometidos em liderar essa discussão para garantir que o futuro seja justo e inclusivo para todos”, reforçou Moisés Selerges. José Vital, por sua vez, ressaltou que a realização da conferência é fruto de um processo iniciado no ano passado, no Ceará, durante a 1ª Conferência Inteligência Artificial, Sindicatos e a Luta por Direitos. Agora, em âmbito nacional, o debate busca consolidar uma agenda que envolva sete segmentos sociais: movimento sindical, conselhos profissionais, universidades públicas, instituições de pesquisa, sociedade civil, parlamentares e mídia progressista.
Agenda estratégica
Os debates da conferência giram em torno de quatro eixos principais:
1. Impactos da IA sobre empregos e relações de trabalho, especialmente em economias emergentes como o Brasil;
2. Formulação de reivindicações que garantam proteção aos trabalhadores e distribuição justa dos ganhos de produtividade;
3. Soberania digital e de dados, com foco em infraestruturas públicas e tecnologias abertas;
4. Combate à desinformação e redução do poder das Big Techs na mediação social.
Programação
Nesta sexta-feira (3), às 14h, os debates continuam na UFABC com a mesa “Sindicalismo e a Luta por Direitos Sociais e Sindicais na Era da IA”, que terá a participação de Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Nacional, e Wellington Damasceno, diretor administrativo e financeiro dos Metalúrgicos do ABC. A atividade discutirá os desafios do movimento sindical diante das novas tecnologias e a importância de construir uma transição digital justa, democrática e inclusiva.
Fonte: Contraf-CUT, com edição
