Bancários do ABC

Santander fecha única agência bancária do grupo em Ribeirão Pires

Sindicato negocia realocação dos bancários; clientes e usuários terão que se deslocar até Mauá

Sindicato negocia realocação dos bancários; clientes e usuários terão que se deslocar até Mauá

O banco Santander anunciou, com um singelo cartaz afixado na porta, o fechamento da única agência do grupo operante na cidade de Ribeirão Pires. A partir de 5 de dezembro os clientes e usuários terão que se deslocar até a cidade de Mauá. O Sindicato já entrou em contato com o banco para tentar garantir a realocação dos bancários da agência.

O anúncio acontece poucos dias após um ato nacional de protesto contra o banco ter sido realizado pelas entidades sindicais. “O Santander opera no Brasil como serviço essencial, mas vem precarizando tanto o ambiente de trabalho quanto as contratações, os direitos trabalhistas e o atendimento à sociedade. O fechamento da agência em Ribeirão Pires é mais uma prova do descaso do banco com os brasileiros, e é fundamental garantir a realocação desses bancários”, aponta o diretor sindical Ageu Moreira.

O grupo espanhol obteve um lucro líquido gerencial de R$ 11,529 bilhões no Brasil nos nove primeiros meses de 2025, um crescimento de 15,1% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, vem extinguindo agências físicas e avançando nas plataformas digitais e investimentos em Inteligência Artificial, reduzindo o número de empregos no setor.

De junho de 2024 a junho de 2025 fechou 558 agências e continua com esse processo. A holding encerrou o terceiro trimestre de 2025 com 51.747 empregados, após eliminar 3.288 postos de trabalho em 12 meses, sendo 2.171 postos a menos apenas no terceiro trimestre deste ano.

As demissões e o fechamento de agências resultam em grande estresse para os funcionários, que têm de conviver com aumento de trabalho, assédio e cobranças. Com isso aumenta o adoecimento e afastamentos por razões de saúde, complicando ainda mais a qualidade do atendimento. Essa realidade é ainda mais grave com a terceirização fraudulenta praticada pelo banco, que demite o bancário para recontratá-lo de forma terceirizada, sem os direitos da categoria.

Projeto no Senado 

O encerramento de agência bancários no Brasil está sendo discutido no Senado. O projeto de lei 5456/2025, da senadora Eliziane Gama (PSD/MA) quer estabelecer critérios e procedimentos para o encerramento de agências bancárias no País.

A proposta busca proteger o interesse público, garantir a continuidade dos serviços essenciais e fortalecer a inclusão financeira, especialmente em municípios pequenos, áreas rurais e comunidades vulneráveis.

Pelo projeto, os bancos só poderão fechar agências após cumprir uma série de exigências. Entre elas estão a comunicação prévia ao Banco Central, com 120 dias de antecedência (acompanhada de estudo de impacto socioeconômico e plano de mitigação), e aviso público à população com 90 dias de antecedência e realização de audiência pública organizada pelo poder local.

Também determina a manutenção, por até 24 meses, de um ponto de atendimento (físico ou móvel) para amenizar os impactos do encerramento das atividades bancárias no local, garantindo o acesso da população a serviços como saques, pagamentos e recebimento de benefícios sociais.

Se aprovado, nos municípios com menos de 50 mil habitantes ou onde exista apenas uma agência bancária, o fechamento dependerá de autorização expressa do Banco Central, precedida de parecer técnico e audiência pública. O descumprimento das regras sujeitará as instituições financeiras a multas e sanções.

Para a senadora, o fechamento de agências “vai muito além de uma decisão empresarial”, afetando o comércio local, a arrecadação municipal e o acesso da população a programas como o Bolsa Família, INSS e crédito rural. “A modernização do sistema financeiro não pode ocorrer em detrimento da inclusão de milhões de brasileiros que ainda dependem do atendimento presencial”, afirmou Eliziane Gama, na justificativa da proposta.

O projeto também fortalece o papel de órgãos de defesa do consumidor. Para a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT Brasil, Juvandia Moreira, sua aprovação é fundamental para reafirmar a natureza pública da atividade bancária.

“Os bancos operam sob concessão pública, conforme estabelece a legislação do Sistema Financeiro Nacional. Isso significa que não podem atuar apenas de acordo com seus interesses privados. É dever das instituições financeiras cumprir suas funções sociais e garantir o acesso da população aos serviços bancários em todas as regiões do País”, destacou.

O Sindicato lembra que, quando uma agência fecha, o impacto é imediato, pois pequenas empresas de comércio e serviços perdem movimento, há redução na circulação de dinheiro e queda na arrecadação local, o que enfraquece a economia das cidades e aprofunda desigualdades.

Leave a comment

Leave a comment

0.0/5