Fraudes sob investigação, prejuízo bilionário e articulações políticas marcam a quebra do banco

A liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank pelo Banco Central revelou uma crise de grandes proporções no sistema financeiro e colocou sob investigação o conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
Até agora, apurações da Polícia Federal, do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam indícios de fraudes financeiras bilionárias. Uma das principais suspeitas é a tentativa de venda de R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito supostamente falsas a um banco público, o que teria agravado a crise de liquidez da instituição.
No âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro e pessoas próximas, como seu cunhado Fabiano Zettel, chegaram a ser presos e depois liberados. Em nota divulgada na semana passada, a defesa sustenta que o banqueiro é inocente, colabora com as autoridades e confia no esclarecimento dos fatos pelo devido processo legal.
A quebra do Banco Master atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e pode gerar um rombo superior a R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), custo que acaba sendo socializado por todo o sistema bancário, inclusive bancos públicos.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, o caso é grave, revela falhas na fiscalização do sistema financeiro e reforça a necessidade de apurar responsabilidades, preservar empregos e proteger trabalhadores e clientes diante de prejuízos bilionários.
Além do impacto econômico, o caso chama atenção pelo trânsito político e jurídico do controlador em Brasília, ampliando a expectativa sobre novos desdobramentos. O que já se sabe aponta para falhas graves; o que ainda falta descobrir pode ampliar ainda mais o alcance do caso.
Impacto sobre os trabalhadores e atuação do Sindicato
Vale destacar que o Banco Master possuía cerca de 515 trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho. Diante da liquidação extrajudicial, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região encaminhou ofício ao Banco Central cobrando a preservação dos empregos, a manutenção dos salários e de todos os direitos e benefícios previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Informações recentes indicam que, desde julho, ocorreram aproximadamente 100 desligamentos, restando cerca de 400 empregados ainda ativos, o que reforça a necessidade de acompanhamento rigoroso do processo de liquidação.
Dirigentes sindicais estiveram na sede do banco, em São Paulo, e, em diálogo com representante do Banco Central, foi afirmado que a CCT será cumprida integralmente, incluindo a 13ª cesta alimentação e a manutenção do plano de saúde.