Proposta defendida pelo movimento sindical busca mais justiça tributária e valorização dos trabalhadores bancários
A isenção do Imposto de Renda (IR) sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) voltou ao centro das discussões no país e ganha força como uma pauta de justiça tributária defendida pelo movimento sindical. Atualmente, valores de PLR recebidos são isentos até R$ 7.640,80, conforme regra válida para pagamentos realizados desde fevereiro de 2024. O que ultrapassa esse limite é tributado na fonte, com alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%.
O reajuste da tabela — de 10,93% — ampliou a faixa de isenção anterior, que era de R$ 6.677,55, mas entidades sindicais avaliam que o avanço ainda é insuficiente diante do peso que a PLR tem na renda dos trabalhadores.
Para muitas categorias, especialmente a bancária, a PLR pode representar uma parcela significativa do rendimento anual, funcionando como reconhecimento pelo esforço coletivo que garante os resultados do setor financeiro.
Nesse cenário, cresce a defesa pela isenção total da PLR, proposta apoiada pelo Sindicato dos Bancários do ABC. O argumento central é a necessidade de maior equilíbrio no sistema tributário, já que dividendos pagos a sócios e acionistas são isentos de Imposto de Renda, enquanto trabalhadores seguem sendo tributados sobre sua participação nos resultados das empresas.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência na área econômica. Estimativas apontam que a medida poderia gerar uma renúncia fiscal próxima de R$ 10 bilhões em 2026 e cerca de R$ 11 bilhões em 2027, exigindo medidas de compensação financeira.
O tema também avança no Congresso Nacional por meio do Projeto de Lei 581/2019, que prevê a isenção do imposto sobre a PLR e reforça um debate mais amplo sobre a necessidade de tornar o modelo tributário brasileiro mais progressivo — em que quem ganha menos pague proporcionalmente menos.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, a discussão vai além da tributação e passa pelo reconhecimento do trabalho da categoria.
“A PLR é uma conquista histórica dos trabalhadores e fruto direto da organização sindical. Tributar esse valor significa reduzir um direito construído com muita luta. Defender a isenção é defender valorização, renda e mais justiça para quem realmente produz os resultados”, afirma.
A mobilização em torno do tema deve continuar nos próximos meses, acompanhando o andamento do projeto no Congresso. Para os trabalhadores, a isenção total da PLR representa não apenas mais dinheiro no bolso, mas também um passo importante rumo a um sistema tributário mais justo.
