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FETEC-CUT/SP inova ao destacar trabalhadoras 50+ na Conferência Livre de Mulheres

Propostas abrangem desde o acolhimento de mulheres cuidadoras à ampliação do atendimento no SUS para trabalhadoras na menopausa

Propostas abrangem desde o acolhimento de mulheres cuidadoras à ampliação do atendimento no SUS para trabalhadoras na menopausa

A Conferência Livre das Mulheres da Fetec/CUT-SP, realizada em 24 de julho, inovou ao aprofundar o debate sobre os desafios enfrentados pelas trabalhadoras com mais de 50 anos. As conferências livres antecedem a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que acontece em setembro, em Brasília.

O encontro reuniu mais de 80 dirigentes da base da Fetec, e ocorreu de forma híbrida. Entre elas, a secretária de Formação do nosso Sindicato, Inez Galardinovic; Anaide Silva, diretora de Políticas Sociais da Fetec-SP e também conselheira fiscal na nossa entidade e as diretoras Karin Diaz Caliento e Ariane Canever Dias.

“Foi um momento importante de troca de informações e também de formulações”, aponta, ao esclarecer que as propostas destacaram o peso do cuidado familiar (relegado quase exclusivamente às mulheres) e a necessidade de se ampliar o atendimento público e de qualidade durante a menopausa. As participantes também discutiram caminhos para enfrentar o preconceito e as dificuldades que atingem as trabalhadoras do ramo financeiro nessa fase da vida.

A presidenta da FETEC, Aline Molina, abriu o encontro destacando as diversas barreiras que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho ao chegar à maturidade, com ênfase no papel de cuidadoras que lhes é imposto.

“O cuidado é relegado às mulheres nesse período, e isso nos deixa exaustas. Nossa geração é chamada de ‘geração sanduíche’, porque cuidamos dos filhos e, muitas vezes, também dos nossos pais. Nós podemos, sim, cuidar, mas a sociedade nos impõe esse papel como se fosse algo natural do feminino, e não é”, afirmou.

A preocupação com a saúde da mulher no climatério demonstra a sensibilidade das dirigentes bancárias, que, mesmo tendo conquistado o direito ao convênio médico, mantêm o compromisso com as trabalhadoras que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

Ana Lúcia Ramos Pinto, secretária-geral da FETEC e organizadora do evento, destacou que a pauta das trabalhadoras 50+ reflete o olhar cuidadoso da federação para as trabalhadoras de todas as idades.

“Uma das propostas é justamente a ampliação do atendimento do SUS às mulheres na menopausa. Há oferta de especialidades e medicamentos, mas ainda de forma muito incipiente diante do que realmente é necessário nesse período”, afirmou.

Espaços de poder

Para Phamela Godoy, advogada e coordenadora do projeto “Basta, não irão nos calar!”, debater um tema tão pouco tratado na sociedade é fundamental.

“Após a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, vimos muitas mulheres 50+ saindo dos postos de trabalho sem possibilidade de se aposentar. São mulheres que são mães, muitas vezes chefes de família, responsáveis financeiramente pela casa, pelo cuidado dos filhos e dos pais idosos. Por isso, é essencial pensar na saúde e no acolhimento dessas mulheres”.

A advogada também ressalta a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de poder, lembrando que os conselhos são um desses espaços estratégicos.

“Uma das nossas propostas é garantir, no mínimo, 50% de participação de mulheres nos conselhos municipais, estaduais e nacionais, para que possamos ter mais mulheres formulando políticas públicas para toda a sociedade.”


Luta contra a violência

Aline Molina destacou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, que mostram o Brasil entre os países mais violentos contra a mulher, com pelo menos quatro assassinatos diários. O relatório também aponta que uma em cada cinco medidas protetivas concedidas com urgência pela Justiça foi descumprida no ano passado.

Mesmo diante desse cenário, a presidenta da FETEC ressaltou avanços no movimento feminista e o acesso da população aos números do feminicídio, antes totalmente inacessíveis.
Ela lembrou que a resistência das trabalhadoras contra o machismo e a violência de gênero começou com a organização de mulheres em movimentos sociais e sindicais, que buscavam melhores condições de trabalho, igualdade de direitos e o fim da violência contra a mulher.

“A luta de milhares de mulheres que pavimentaram o caminho para nós está, sim, dando frutos. Muitas foram mortas e silenciadas para que chegássemos até aqui e pudéssemos fortalecer essa causa”, disse a presidenta, destacando o papel fundamental das bancárias na conquista da inclusão de cláusulas contra assédio e violência na Convenção Coletiva.

Delegadas


Na ocasião, foram eleitas as delegadas que representarão a FETEC-CUT/SP na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que acontece em setembro, em Brasília.

Mayara Siqueira, do Seeb Jundiaí, e Ana Paula Freire, do Seeb SP, foram eleitas titulares, enquanto Pamela da Silva Leite e Gleice Pereira dos Anjos Santos, dos sindicatos de Jundiaí e São Paulo, foram eleitas suplentes.

Confira as propostas apresentadas pelas dirigentes dos sindicatos da base da FETEC para a 5a Conferência Livre de Políticas Para Mulheres.

  • Criar um programa nacional de saúde humanizado e específico para mulheres no climatério, perimenopausa, menopausa e pós-menopausa, com acompanhamento psicológico, reposição hormonal, outras terapias necessárias e procedimentos reparatórios.
  • Garantir a participação mínima de 50% de mulheres nos conselhos de políticas públicas municipais, estaduais, distritais e nacionais.
  • Ampliar vagas em cursos técnicos e de graduação na área de Tecnologia da Informação, com cotas para mulheres, especialmente negras.

Fonte: Fetec-SP. com edição

Clique aqui para mais detalhes sobre a 5a Conferência Livre de Políticas para Mulheres 

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