Bancários do ABC

Bancos lucram bilhões enquanto cortam empregos e pioram atendimento

Os três maiores bancos privados em operação no Brasil: Itaú, Bradesco e Santander, encerraram 2025 com um lucro conjunto de R$ 87 bilhões, um resultado estratosférico que contrasta com a dura realidade enfrentada pelos bancários e pela população. Mesmo com ganhos recordes, essas instituições seguem promovendo demissões em massa, fechamento de agências e precarização do atendimento, aprofundando a sobrecarga de trabalho e o adoecimento da categoria.

O desempenho financeiro dos bancos foi impulsionado, principalmente, pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados, pela ampliação da cobrança de tarifas e por uma política de crédito restritiva. Além disso, a redução de custos operacionais, obtida com o corte de postos de trabalho e o enxugamento da rede física, tem sido um dos pilares desse lucro bilionário.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, essa lógica revela um modelo perverso. “Os bancos nunca lucraram tanto, mas escolhem demitir, fechar agências e pressionar os trabalhadores com metas abusivas. É um lucro que não retorna para a sociedade, nem para quem efetivamente produz esses resultados, que são os bancários e bancárias”, afirmou.

Itaú lidera lucros e cortes de pessoal

O Itaú Unibanco registrou o maior lucro entre os bancos privados: R$ 46,8 bilhões em 2025, um novo recorde. Ao mesmo tempo, o banco extinguiu mais de 3,5 mil postos de trabalho, intensificando a rotatividade e substituindo funcionários experientes por trabalhadores com salários menores. A consequência direta tem sido o aumento da sobrecarga, do adoecimento e da piora na qualidade dos serviços prestados à população.

Bradesco amplia demissões e metas abusivas

O Bradesco alcançou um lucro de R$ 24,65 bilhões, crescimento superior a 26% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, manteve uma política agressiva de demissões, que elevou as metas impostas aos trabalhadores remanescentes e aprofundou casos de assédio moral. Mesmo economizando com cortes de pessoal e fechamento de agências, o banco seguiu aumentando as tarifas cobradas dos clientes.

Santander exporta lucros e precariza no Brasil

Já o Santander lucrou R$ 15,6 bilhões no Brasil, sendo uma parte significativa desse resultado enviada à matriz na Espanha. O banco fechou centenas de pontos de atendimento, reduziu drasticamente o número de empregados e ampliou a terceirização, transferindo trabalhadores para empresas do próprio grupo com menos direitos e salários menores.

Lucro para poucos, prejuízo para muitos

Enquanto os bancos acumulam ganhos históricos, os bancários enfrentam insegurança, adoecimento e perda de direitos, e a população sofre com o fechamento de agências, filas, dificuldade de acesso ao crédito e tarifas cada vez mais altas. Para o Sindicato do ABC, esse cenário reforça a necessidade de mobilização da categoria, defesa do emprego, valorização dos trabalhadores e de um sistema financeiro que cumpra seu papel social e contribua para o desenvolvimento do país e não apenas para o enriquecimento de acionistas.

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