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Saúde Caixa, Sindicato realiza Plenária presencial e Assembleia virtual. Em pauta o acordo coletivo de trabalho Saúde Caixa 2025.

Acordo sobre o tema será abordado em plenária no dia 11 e votado em assembleia remota das 19h do dia 11 até 14h do dia 12

Acordo sobre o tema será abordado em plenária no dia 11 e votado em assembleia remota das 19h do dia 11 até 14h do dia 12


ASSEMBLEIA SAÚDE CAIXAO Sindicato realiza na próxima terça, 11 de novembro, plenária e assembleia com os empregados da Caixa que têm como tema central o Acordo do Aditivo da CCT do Saúde Caixa. A plenária, presencial, começa às 18h e será na sede social do Sindicato – Rua Xavier de Toledo, 268 – Centro – Santo André – SP.

Já a assembleia acontecerá de forma remota a partir das 19h do dia 11 e seguirá até as 14h do dia 12, com o link de votação bancarios.votabem.com.br, disponível também no site do Sindicato (www.bancariosabc.org.br). Quem não tiver acesso à internet poderá votar no dia 12 de novembro das 9h às 14h em equipamento com acesso ao link na sede administrativa do Sindicato, à rua Cel. Francisco Amaro, 87, Centro, Santo André.

O Acordo Coletivo de Trabalho Saúde Caixa 2026 terá vigência de 1º de janeiro de 2026 a 31 de agosto de 2026. “Convidamos todos a participar desse importante encontro, já que o Saúde Caixa vem sendo discutido há tempos e finalmente podemos celebrar a conquista do reajuste zero”, afirma Gheorge Vitti, presidente do Sindicato.

O diretor de Relações Sindicais Hugo Saraiva destaca a importância da negociação e mobilização no processo. “A conquista vem em uma década marcada pela escalada dos custos médicos e resulta de negociação conduzida pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e da participação dos empregados”, aponta.

Segundo dados divulgados pela consultoria Arquitetos da Saúde no jornal Valor Econômico, em julho passado, os planos coletivos acumularam alta de 383,5% entre 2015 e 2025, enquanto os planos individuais subiram 146,48% no mesmo período — no primeiro caso, mais de quatro vezes a inflação oficial, medida pelo IPCA, que ficou em 84%.

A “inflação médica” — que mede o avanço dos custos de consultas, exames, internações e medicamentos — chegou a 12,7% em 2025, acima da média global de 10,9%. “Esses aumentos vêm pesando nos orçamentos de empresas e trabalhadores, o que torna ainda mais relevante e histórica nossa conquista de reajuste zero”, avalia a diretora de Formação, Inez Galardinovic.

Saiba mais

A manutenção das mensalidades e da coparticipação no Saúde Caixa garante estabilidade no valor pago por empregadas, empregados e aposentados da Caixa, preservando o acesso à saúde de qualidade em um momento em que os custos do setor disparam.

O resultado é fruto direto da pressão e unidade da categoria. A representação sindical conseguiu manter as regras atuais de custeio sem aumento da participação dos empregados. Em mesa de negociação, as entidades representativas conquistaram a manutenção da alíquota atual para titulares (3,5%) e o valor fixo de dependentes (R$ 480). A vitória veio com o atendimento da principal demanda da categoria, o reajuste zero nas mensalidades, e garantia de espaço para discutir o modelo de custeio 70/30.

O acordo também reafirma a importância do Saúde Caixa como um plano de autogestão, modelo que se diferencia dos planos comerciais e visa garantir o equilíbrio entre sustentabilidade e proteção aos empregados. “A manutenção desse modelo depende do compromisso coletivo de empregados e da empresa, que compartilham custos, e a transparência nas informações é essencial para fortalecer a confiança da categoria e evitar desinformação neste processo de aprovação do acordo”, acrescenta o diretor Hugo.
Em um país onde os planos de saúde se tornaram um peso crescente para famílias e empresas, é fundamental destacar que o reajuste zero obtido pelos empregados da Caixa simboliza mais do que um resultado financeiro: é uma vitória coletiva pela valorização do trabalho e pelo direito à saúde.

Linha do tempo

O maior desafio dos empregados da Caixa, da ativa e aposentados, em 2025, foi a renovação do ACT do Saúde Caixa. Já em fevereiro, a direção do banco previa aplicar um aumento de 22,86% nas mensalidades. Em maio, mais um revés: foi divulgada a nova versão do estatuto do banco, que manteve o teto de 6,5% da folha de pagamento da empresa para o custeio do Saúde Caixa.

Em meio a esse cenário, e com um déficit de R$ 346 milhões até junho (com previsão de superar R$ 500 milhões até o final do ano), iniciaram-se as negociações para renovação do Acordo Coletivo específico do plano de assistência médica dos empregados. A pauta dos trabalhadores defendia reajuste zero nas mensalidades, melhoria na qualidade do atendimento, o fim do teto e a manutenção da participação da empresa no custeio do plano para quem ingressou após setembro de 2018, também na aposentadoria.

A campanha pelo reajuste zero ganhou força entre os empregados e foi encampada por diversas entidades representativas. A cada dia 20, ações de engajamento e mobilização ocorriam nas unidades da Caixa em todo o País. Após diversas rodadas de reuniões do GT Saúde Caixa e da mesa de negociação permanente, a representação da empresa apresentou propostas de aumento nos itens de custeio, rejeitadas pelos representantes dos empregados. A mobilização se intensificou, culminando, no dia 10 de outubro, com a apresentação de uma proposta que garantiu reajuste zero nas mensalidades.

A proposta apresentada pela Caixa mantém os mesmos valores nos itens de custeio até o vencimento do Acordo Coletivo dos empregados (31/8/2026), quando as condições do plano serão discutidas, em conjunto com as demais cláusulas.

Confira abaixo a tabela comparativa das propostas apresentadas pela Caixa para a custeio do plano, e as respostas às dúvidas mais frequentes.

Veja a tabela comparativa:

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1 – Qual será o reajuste nas mensalidades e coparticipação do plano previsto na proposta da Caixa?
Resposta: A proposta não prevê qualquer aumento nas mensalidades do titular, dependentes diretos ou indiretos ou no teto de cobrança das mensalidades. Também não prevê aumento nos valores de coparticipação.

2 – O meu salário foi reajustado em setembro (ou será reajustado em janeiro), então não terei um aumento na mensalidade como titular?
Resposta: O formato de custeio do Saúde Caixa prevê mensalidades baseadas em percentual da renda desde sua criação, em 2004, garantindo de forma plena a aplicação das premissas da solidariedade e do pacto intergeracional. Desta forma, a mensalidade do titular e o teto para a cobrança da mensalidade do grupo familiar correspondem à uma alíquota da remuneração, e não a um valor expresso em reais. Como as alíquotas foram mantidas, e o valor de mensalidade dos dependentes também, não houve aumento nas mensalidades do plano nesta proposta. Com esta proposta, a alíquota de mensalidade para o titular permanece inalterada desde o final de 2021. Assim, para empregados que não possuem dependentes, não houve reajuste por pelo menos 5 anos.

3 – Por que a Caixa apresentou propostas de aumento para o plano?
Resposta: De acordo com os relatórios financeiros parciais apresentados pela Caixa às entidades, o plano acumulava, até junho, um resultado assistencial (receitas – despesas) deficitário de R$ 346 milhões de reais, e, de acordo com as projeções atuariais, este déficit superará R$ 500 milhões até o final de dezembro. As reservas técnicas do plano, atualmente, somam pouco mais de R$ 100 milhões, o que seria insuficiente para garantir a cobertura do plano até o final do ano.

Com a projeção de aumento das despesas previstas pelo relatório atuarial para 2026, a Caixa calculou projeções de aumento das contribuições dos empregados para cobrir estas projeções de aumento, e elaborou propostas de reajuste que foram apresentadas na mesa de negociação. As propostas de aumento das mensalidades foram negadas em mesa, até a apresentação da última proposta, que será apreciada pelos empregados nas assembleias.

4 – Como o resultado deficitário do plano de 2025 será coberto? Haverá cobrança adicional para os empregados?
Resposta: A Caixa cobrirá o déficit de 2025, sem qualquer cobrança adicional aos empregados.

5 – Por que o plano está deficitário?
Resposta: O desequilíbrio financeiro do plano tem sido causado por um crescimento das despesas superior ao das receitas, especialmente em função do fato de que a participação da Caixa no custeio está limitada aos 6,5% da folha de pagamento, conforme previsto no estatuto do banco, e que restringe a aplicação da divisão dos custos em 70% para a Caixa e 30% para os empregados.

6 – O que muda para os filhos inscritos como dependentes?
Resposta: Atualmente, os filhos e enteados com até 21 anos são dependentes diretos; entre 21 e com até 24 anos, podem permanecer no plano como dependentes indiretos, desde que tenham renda mensal de até R$ 1.800,00, com o valor de mensalidade de R$ 480,00. Hoje, ao completar 24 anos, não podem mais permanecer no plano. Agora, após completar 24 anos (e até completar 27 anos), os filhos e enteados poderão permanecer no plano, na condição de dependentes indiretos, com o valor de mensalidade de R$ 800.

7 – A mensalidade dos filhos entre 24 e 27 anos é considerada para o cálculo do teto de 7% da RB para o somatório das mensalidades de titular e dependentes?
Resposta: Por se tratar de dependente indireto, o valor de mensalidade pago para os filhos nesta faixa etária não é considerado dentro do limite de 7% da remuneração base, contando além deste teto.

8 – Por que o valor da mensalidade para filhos entre 24 e até 27 anos foi estabelecido em R$ 800,00?

Resposta: Este valor corresponde ao custo assistencial médio nesta faixa etária entre os usuários do Saúde Caixa. Está abaixo do preço praticado por planos de mercado de abrangência nacional com coberturas comparáveis ao Saúde Caixa, e também abaixo do preço cobrado por autogestões como a Cassi (plano de assistência médica dos empregados do Banco do Brasil). A Cassi, no plano Cassi Família, cobra R$ 1.074,21 na faixa etária de 24 a 28 anos.

9 – Como fica o direito à permanecer com o plano na aposentadoria?
Resposta: O acordo mantém as condições previstas no ACT anterior: podem permanecer com o plano com a mesma condição de custeio oferecida ao pessoal da ativa os empregados admitidos até 31 de agosto de 2018 que se aposentem pelo INSS durante o vínculo empregatício com a Caixa, e os que foram admitidos já na condição de aposentados e que tenham ao menos 120 contribuições para o plano. Quem foi admitido após 01 de setembro de 2018, ao se aposentar, passaria a integralmente o plano, arcando também com a parte da empresa, conforme previsto na lei 9.656/1998.

10 – Como a Caixa justifica a impossibilidade de retorno ao plano de quem realizar seu cancelamento?
Resposta: A Caixa justifica que, devido ao fato do custeio do plano prever o pacto intergeracional (no qual a curva de contribuição prevê contribuições um pouco maiores quando se é mais jovem, para que, nas últimas faixas de idade, a contribuição possa ser um pouco menor), um reingresso no plano de alguém que realizou seu cancelamento quando mais jovem, e que retornaria com faixa etária mais alta significaria um prejuízo à este pacto, com reflexos negativos para a sustentabilidade do plano. Um exemplo conhecido de plano em que não é permitido o reingresso após o cancelamento é a Cassi, autogestão dos funcionários do Banco do Brasil.

11 – Será permitido um prazo para retorno aos titulares que saíram do plano?
Resposta: A proposta da Caixa prevê que os titulares que saíram do plano podem retornar até 01 de janeiro de 2026.

12 – Haverá alguma nova fonte de receita para o plano?
Resposta: A proposta prevê que, à partir da vigência do novo acordo, a Caixa realizará, como contribuição para o plano, um repasse equivalente à 6,5% do valor pago aos empregados em ações trabalhistas (tanto individuais quanto coletivas), que tenham como objeto parcelas de natureza salarial. O empregado, por sua vez, teria descontado de seu valor devido a receber nestas ações o percentual referente à sua alíquota de mensalidade para o plano. Em 2024, a Caixa pagou, em ações trabalhistas, um total de R$ 4,369 bilhões. Considerando a participação da Caixa em 6,5% e o desconto de 3,5% referente à alíquota do empregado, o valor destinado ao custeio do Saúde Caixa seria de R$ 436,9 milhões. No primeiro semestre de 2025, o total pago pela Caixa em ações trabalhistas somou 2,161 bilhões, o que, nas mesmas condições representaria R$ 216,1 repassados ao Saúde Caixa, entre participação da Caixa e valores descontados dos empregados.

13 – Este modelo que prevê contribuição sobre valores pagos em ações judiciais possui algum paralelo?
Resposta: O plano de assistência médica dos funcionários do Banco do Brasil também possui a previsão de contribuição, tanto da empresa quanto do funcionário, sobre valores recebidos pelos empregados em ações judiciais trabalhistas.

14 – Os valores de mensalidade do Saúde Caixa já foram de 2% da remuneração para todo o grupo familiar. É possível voltar a ter esta mensalidade?
Resposta: O modelo de custeio do Saúde Caixa aprovado em 2004 e defendido pelas entidades, no qual a empresa arca com 70% dos custos e os empregados com os 30% restantes, prevê que a soma das contribuições dos empregados deve ser suficiente para o custeio do percentual sob sua responsabilidade nas despesas (de 30%). De acordo com os Relatórios de Administração do Saúde Caixa, a mensalidade de 2% da RB não é mais suficiente para atingir os 30% das despesas do plano desde 2016. Uma simulação realizada pela consultoria atuarial contratada pela representação dos empregados, se a mensalidade ainda fosse de 2% da RB, o índice de cobertura das despesas assistenciais com as contribuições dos empregados seria de apenas 16%, percentual bem abaixo dos 30% previstos na proporção 70/30.

Redação, com informações da Fenae, Bancários DF e Apcef-SP

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