O Itaú iniciou o lançamento da ia.i, sua nova ferramenta de inteligência artificial integrada ao aplicativo do banco. A tecnologia começa disponível para uma base de 300 mil clientes, com previsão de alcançar 3 milhões de usuários em setembro e ser disponibilizada gradualmente para toda a base até o fim do ano.
Para apresentar a novidade, o banco chegou a retirar temporariamente as letras “t” e “ú” de sua marca, destacando apenas “IA”. A campanha simboliza a aposta do Itaú em um modelo de relacionamento cada vez mais baseado na inteligência artificial.
Os resultados divulgados pelo próprio banco mostram o potencial da ferramenta: mais de R$ 1 bilhão em ganho de margem financeira na pessoa física por meio da IA aplicada ao crédito, aumento de 20% a 30% na precisão da análise de risco, crescimento de 40% a 50% na recuperação de crédito e redução de 20% a 30% no tempo de resolução das demandas dos clientes. No iti, o banco informa que 54% dos clientes passaram a ter o banco como instituição principal em apenas 18 meses, impulsionados pelo uso da inteligência artificial.
Para o Sindicato dos Bancários do ABC, a inovação tecnológica é bem-vinda, mas não pode ser utilizada como justificativa para reduzir empregos, fechar agências ou substituir o atendimento humano.
Embora o banco afirme que a IA atuará como um “copiloto”, liberando os trabalhadores para atividades de maior relacionamento com os clientes, é inevitável o debate sobre os impactos dessa transformação no emprego bancário. Se a inteligência artificial já responde dúvidas, realiza simulações, compara produtos e caminha para executar operações cada vez mais complexas, cresce a preocupação com a redução de postos de trabalho e o aumento da pressão sobre quem permanece nas agências.
Além disso, a realidade brasileira mostra que milhões de pessoas ainda dependem do atendimento presencial. Idosos, pessoas com deficiência, clientes de baixa renda e aqueles com pouca familiaridade com os canais digitais continuam precisando do contato direto com os bancários para resolver suas demandas com segurança e confiança.
O Sindicato defende que a inteligência artificial seja utilizada para melhorar as condições de trabalho e a qualidade do atendimento, e não para ampliar a exclusão digital, intensificar metas ou substituir profissionais. Bancos que registram lucros bilionários têm condições de investir em tecnologia sem abrir mão da valorização dos trabalhadores e da manutenção de uma rede de atendimento acessível à população.
A inteligência artificial pode transformar a forma de fazer banco. Mas nenhuma tecnologia substitui a experiência, a confiança e o papel essencial desempenhado pelos bancários.
