Bancários do ABC

Conferência estadual dos bancários em SP aprova plano de lutas

Debates abordaram impactos da IA no mundo do trabalho e no meio ambiente, além da defesa da soberania nacional e democracia

Debates abordaram impactos da IA no mundo do trabalho e no meio ambiente, além da defesa da soberania nacional e democracia

A 27a. Conferência Estadual da Fetec-CUT/SP aconteceu no último sábado, 16, com a presença de mais de 300 delegados de toda a base da federação, além de lideranças sindicais, políticas e palestrantes. O Sindicato dos Bancários marcou presença na atividade.

Aline Molina, presidenta da Fetec, abriu a Conferência ao lado dos presidentes dos 14 sindicatos filiados à entidade, destacando o ataque à soberania brasileira e o quanto a luta dos trabalhadores bancários tem sido importante em defesa do Brasil e da democracia.

Para o presidente do nosso Sindicato, Gheorge Vitti, o encontro foi produtivo em várias frentes, além de aprovar o plano de lutas (leia abaixo). “São debates que tratam dos impactos da IA no mundo do trabalho, as consequências ambientais, a discussão da defesa de nossa soberania e democracia. Temas urgentes, que abordamos com a clareza de que só com união e organização poderemos avançar em benefício da categoria e dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Mesas

Na primeira mesa sobre conjuntura e inteligência artificial, Sérgio Amadeu, cientista político, destacou que a IA não pode ser vista como um simples software, pois funciona a partir da coleta massiva de dados e de modelos estatísticos capazes de identificar padrões e, para isso, depende da extração de informações em escala global, em grande parte sem consentimento. “Essa dinâmica reforça um colonialismo digital em que as bigtechs se apropriam de dados dos brasileiros, das universidades, escolas e até das plataformas governamentais, comprometendo a soberania do País”.

Do ponto de vista do trabalho, Amadeu alertou que cerca de 40% dos postos no Brasil já estão sendo afetados pela automação. “As transformações não atingem apenas funções simples, mas sobretudo atividades de cognição média, o que aumenta a produtividade sem reduzir as jornadas e acaba resultando em precarização, sobrecarga e eliminação de empregos”.

Para enfrentar esse cenário, o professor defende que o movimento sindical assuma novas pautas, como a participação nas decisões sobre implementação de tecnologias, a negociação coletiva envolvendo algoritmos e a exigência de relatórios de impacto ambiental e trabalhista, sendo urgente que o Brasil construa uma agenda de soberania digital, com infraestrutura própria, datacenters comunitários e soluções cooperativas de baixo impacto ambiental.

Dom Ernesto, jornalista e apresentador, participou da mesa abordando o ataque à soberania nacional e disse que o presidente Lula tem tido um papel heróico nesse processo. Também destacou a importância da comunicação do movimento sindical nessa luta. “Precisamos estar nas ruas e nas redes para que a extrema-direita jamais volte a governar o país e destrua nosso projeto de justiça social”.

Numa outra mesa foram apresentados apresentou o recorte estadual da Consulta Nacional dos Bancários. Entre as conquistas mais valorizadas pela categoria estão o ganho real de salário, a PLR e os auxílios alimentação e refeição. Com a alta dos preços dos alimentos, os tickets aparecem como direitos essenciais.

O levantamento revelou ainda que mais de 90% dos bancários reconhecem a importância de contribuir com a luta sindical; a perda do emprego é um dos maiores temores da categoria, citada por 19%; mais de 70% aprovam a isenção de impostos para quem ganha até R$ 5 mil e mais de 75% avaliam positivamente o trabalho dos sindicatos de base. A pesquisa ainda destacou a relevância da comunicação sindical: 33% dos bancários acompanham informações pelos sites das entidades, 17% pelos jornais impressos, e outros 33% pelas redes sociais e grupos de WhatsApp.

35 anos da Fetec

A direção da Fetec lançou uma revista comemorativa dos 35 anos da entidade. A publicação resgata a trajetória da federação desde sua fundação em 1989, quatro anos após a redemocratização do país. A Conferência também recebeu o historiador e comediante Matheus Buente, que apresentou um pocket show trazendo uma leitura crítica da conjuntura nacional com humor e irreverência.

Livro

Já o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) participou da Conferência para lançar o livro ”Pra onde vai a esquerda” que foi sorteado entre os participantes do evento. Ele ressaltou a importância do próximo ano, marcado pelas eleições e pela campanha salarial dos bancários e os ataques à soberania nacional, com a necessidade de se ampliar as redes de mobilização para além do movimento sindical. Também ressaltou o papel central do presidente Lula, cuja postura firme diante de figuras como Donald Trump tem sido reconhecida internacionalmente.

Confira o que foi aprovado:

EIXO 1 – Em defesa da democracia e contra o fascismo
Fortalecer o papel dos bancos públicos.
Ampliar as lutas internacionais junto ao movimento sindical mundial.
Fortalecer os comitês de luta.
Debater a importância de eleger candidatos, em todas as esferas (municipais, estaduais e federais), que defendam as pautas dos trabalhadores.
Reforçar a parceria com o DIAP.
Manter a defesa intransigente da CCT.
Denunciar o modelo de gestão dos bancos.
Resgatar o papel central do Estado no desenvolvimento, conscientizando sobre a importância do que é público.

EIXO 2 – Avanços tecnológicos, inteligência artificial e impacto no trabalho bancário
Atualizar e analisar as mudanças tecnológicas que envolvem o sistema financeiro.
Negociar formação, reciclagem e treinamento em novas ocupações.
Defender o emprego bancário, realizando levantamento no CNAE e CBO para que todos os bancários e financiários estejam enquadrados no ramo.
Responsabilizar os bancos pelos impactos na sociedade e na categoria.
Ampliar a ação sindical nas áreas de TI.
Denunciar práticas abusivas de vigilância e metas inalcançáveis.
Defender que a implantação de novos processos que envolvem IA seja realizada por bancários.
Dialogar com a sociedade sobre as mudanças tecnológicas nos bancos e defender a socialização dos ganhos tecnológicos.
Lutar pela preservação de empregos com direitos no setor digital.
Defender a manutenção das agências físicas, com abaixo-assinados, projetos de lei e campanhas de conscientização.

EIXO 3 – Regulação do Sistema Financeiro Nacional
Defender a regulamentação do sistema financeiro, definindo o papel e os limites de atuação dos bancos, cooperativas, fintechs, startups etc.
Estimular a realização de audiências públicas para aprofundar o debate com especialistas, representantes do setor e sociedade civil.

Atuar pela criação de legislação que estabeleça critérios claros para coibir práticas de empresas que mascaram sua atividade econômica visando vantagens tributárias e trabalhistas.
Dialogar com Ministério da Fazenda, Ministério do Trabalho, Banco Central, Ministério Público e entidades empresariais.
Retomar o debate sobre o papel do Banco Central: autonomia x independência.
Defender o combate à especulação financeira e às remessas de lucros ao exterior.
Ampliar a negociação coletiva em cooperativas e financeiras.

EIXO 4 – Redução da jornada de trabalho sem redução salarial
Lutar pelo fim da escala 6 X 1 para toda a sociedade fortalecer o plebiscito popular proposto pela CUT
Debater a sobrecarga de trabalho e metas abusivas que levam a extensão de jornada
Redução da jornada de trabalho

EIXO 5 – Novas formas de trabalho: terceirização e pejotização no setor bancário
Mapear novas formas de trabalho.
Atualizar o mapeamento do ramo financeiro para ampliar as negociações (cooperativas de crédito, fintechs, financeiras, correspondentes bancários etc.).
Retomar o debate sobre contratação diferenciada para determinados grupos, como trabalhadores da área de tecnologia.
Agendar audiência pública para debater a regulação e fiscalização das fintechs, garantindo segurança ao consumidor bancário.
Articular denúncias sobre impactos do fechamento de agências junto a órgãos de defesa do consumidor (Procon, Idec).
Lutar pela extensão dos direitos dos bancários aos trabalhadores terceirizados do sistema financeiro.

EIXO 6 – Formação para a classe trabalhadora
Ampliar a realização de cursos de formação política para militantes e bancários de base.
Promover formação continuada para dirigentes sindicais e funcionários.
Intensificar a formação de dirigentes nas áreas de diversidade.
Fortalecer, ampliar e atualizar a grade de cursos profissionalizantes dos sindicatos conforme novas demandas da categoria.
Estudar a viabilidade de ofertar cursos também para terceirizados e familiares do sistema financeiro, ampliando o conceito de “Sindicato Cidadão”.

EIXO 7 – Comunicação popular na era das redes sociais
Utilizar e adequar diferentes linguagens para diferentes contextos — política, social e categoria bancária — com comunicação simples e acessível.
Intensificar a interação com a categoria por meio de ações sindicais presenciais e atividades voltadas para trabalhadores em home office (ex.: plenárias virtuais).
Realizar campanhas de conscientização sobre o papel do sindicato, defendendo a liberdade sindical e fortalecendo a organização nos locais de trabalho.
Campanhas propostas:
Campanha nacional de informação e mobilização, incluindo participação na consulta pública do Banco Central sobre o uso da palavra “bank” por instituições não bancárias.
Campanha de conscientização para a sociedade e a categoria sobre a redução da jornada de trabalho, destacando as vantagens para saúde e produtividade.

Resoluções aprovadas
Defesa da Soberania
Defesa do PIX
Lutar contra as interferências norte-americanas
Participação no 7 de setembro em defesa da Soberania e em apoio ao Plebiscito Popular contra a escala 6×1 e pela taxação das grandes fortunas.
Moção encaminhada pelos delegados
Moção de Repúdio ao Tarifaço de Donald Trump e pela Defesa da Soberania Nacional.

Confira as fotos da conferência clicando aqui.

Fontes: Fetec-CUT com Seeb SP, com edição

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