Bancários do ABC

Itaú persegue trabalhadores e demite; movimento sindical questiona banco

Reposição das vagas e regulamentação do uso da IA também são reivindicados

A coordenação da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu com representantes do banco na manhã desta terça, 9, para reivindicar a revisão das mais de 1.000 demissões realizadas no dia anterior. Mas por enquanto a instituição aceitou avaliar apenas os casos de pessoas adoecidas.


A maioria dos desligamentos ocorreu na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb-SP), de bancárias e bancários que trabalhavam no Centro Tecnológico (CT), CEIC e Faria Lima em regime híbrido ou integralmente remoto. A justificativa do banco foi de que esses empregados estavam sendo monitorados há mais de seis meses e foi detectada “baixa aderência ao home office”. Não houve qualquer comunicado prévio ao Sindicato.


“O critério utilizado pelo Itaú é questionável e não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, que surgiu com a pandemia. Além disso, os representantes sindicais não foram comunicados e as demissões ocorreram de forma desumana. Por mais que o banco negue rever as demissões vamos continuar questionando”, aponta o presidente do nosso Sindicato, Gheorge Vitti. Ele lembra que, mesmo sem a ocorrência de casos na região do Grande ABC, o ocorrido é gravíssimo e exige providências.


O movimento sindical bancário insiste na negociação e elenca outras questões importantes a debater. Entre elas, o monitoramento por Inteligência Artificial (IA), que já é praticado pelo banco. “É fundamental regulamentar essa utilização da IA no controle das atividades dos bancários”, aponta a secretária de Esporte e Cultura do Sindicato, Carina Leone, para evitar que a situação da saúde mental da categoria piore ainda mais.


Há ainda a solicitação da negociação sobre o Acordo de Teletrabalho, buscando transparência das medidas que são tomadas pelo banco para que os trabalhadores saibam de todo o monitoramento. O acordo vence em dezembro e o objetivo é que as negociações já sejam iniciadas.


Reposição

No último semestre o Itaú obteve lucro superior a R$ 22,6 bilhões, com rentabilidade em alta. Ele é o maior banco do País em ativos, mas, mesmo com esse resultado, segue extinguindo postos de trabalho: em 12 meses, cortou 518 postos de trabalho, reduzindo o quadro de pessoal da holding a 85.775 empregados.


O movimento sindical, além de repudiar as demissões ocorridas, exige mais contratações e, caso não haja a reintegração, que estas vagas sejam repostas. A medida é necessária porque já há sobrecarga de trabalho, ampliando o adoecimento mental da categoria, que está muito acima do que é registrado no total da classe trabalhadora: nos anos de 2023 e 2024, 57,1% das licenças por acidente de trabalho concedidas a bancários foram causadas por transtornos mentais e comportamentais.


Fontes: Contraf-CUT e Seeb SP, com edição

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