terça-feira , 6 de dezembro de 2016
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Manutenção da Selic só aprofunda crise, adverte confederação dos bancários

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) critica com veemência a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 14,25% a.a., sem viés. Para a Confederação, isso só aumenta ainda mais a crise e empurra a economia para o abismo.

“Manter a taxa básica de juros só serve para manter a economia em recessão, com impactos negativos na geração de empregos. O movimento sindical está cansado de repetir isso! Aprofunda a crise brasileira, aumenta a dívida pública e drena recursos da sociedade para o rentismo; ou seja, para os banqueiros”, ressalta o presidente da Contraf-CUT Roberto von der Osten.

Erro gravíssimo – Com perspectiva de queda do PIB em torno de 7%, entre 2015 e 2016, até mesmo os economistas mais conservadores temem que a manutenção da taxa de juros venha a piorar o cenário econômico do País. A taxa alta com PIB muito abaixo do seu potencial é um erro gravíssimo diante de uma perspectiva de recessão.

“Sendo a Selic apenas uma referência ao mercado financeiro, as taxas de fato aplicadas nos bancos são muito maiores, afetando investimentos e consumo. As taxas de juros do cartão de crédito, por exemplo, já ultrapassam os 400% ao ano, em média. Há bancos cobrando mais de 700%, segundo o próprio Banco Central tem divulgado em seu site”, afirma o presidente da Contraf-CUT.

Desemprego aumenta e investimentos caem – Com a Selic alta as empresas encontram dificuldades para financiar seus investimentos, reduzem sua capacidade produtiva e fecham suas portas.  O desemprego aumenta, a renda em circulação cai e o consumo em baixa afeta mais ainda as empresas que tentam sobreviver.

Medida não combate inflação – A inflação oficial medida pelo IPCA alcançou, em 2015, 10,67%. O patamar demonstra que a política econômica que vem sendo adotada pelo Banco Central não está surtindo efeito sobre a inflação, seu principal objetivo. O risco desse cenário é um crescimento mais que proporcional nos repasses dos aumentos de custos pelos agentes econômicos (crescimento da indexação na economia), perpetuando a inflação.

Segundo o Boletim de Política Fiscal do Banco Central, de janeiro a novembro os juros nominais pagos aos credores pelo governo alcançaram R$ 449,7 bilhões, comparativamente a R$ 264,2 bilhões no mesmo período do ano anterior, representando um crescimento de mais de 70%.  Ou seja, os gastos do governo com juros da dívida em 2015 já superaram 8,4% do PIB em 2015. E, tendo em vista que a dívida mobiliária federal interna totalizou R$ 2.575,3 bilhões (43,6% do PIB), em novembro, mais aumentos na taxa Selic só tendem a piorar esse quadro.

“A roda da economia vai parando e a desigualdade crescendo, com o orçamento do governo cada vez mais comprometido com o pagamento dos juros da dívida pública em benefício dos grandes especuladores do sistema financeiro e em detrimento de toda a sociedade brasileira”, conclui o presidente da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT