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Ocupação em São Bernardo: pelo direito à moradia digna

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Terreno abriga hoje mais de 6,5 mil famílias; Sindicato apoia e coleta doações  

Mais de 6.500 famílias ocupam, nesta quarta, 13, um terreno de quase 70 mil metros quadrados localizado nas proximidades da empresa Scania, no bairro Assunção, em São Bernardo. De acordo com a coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Maria das Dores Cerqueira, a ocupação, que leva o nome de ´Povo sem Medo de São Bernardo do Campo´, começou com 500 famílias no último dia 2, e o número vem crescendo rapidamente a cada dia.

“São pessoas da própria cidade, que tem um déficit habitacional de 92.216 famílias”, enumera Maria, acrescentando que o desemprego causado pela crise econômica, somado ao valor dos aluguéis, fermenta a chegada desses novos ocupantes. O terreno pertence à MZM01 Incorporação, uma conhecida construtora da região do Grande ABC. Segundo Sandra Bezerra, também coordenadora do Movimento, a área está sem uso há cerca de 40 anos, e já teve sua finalidade questionada em decreto da própria Prefeitura, pois não cumpre sua função social (estabelecida pela Constituição de 1988).

No entanto, apesar das reivindicações dos ocupantes, a Prefeitura não tem manifestado interesse em negociar com os proprietários da terra e iniciar um processo de construção de moradias. “Nós não queremos fazer uma favela aqui. Nós queremos a construção de moradias dignas, e isso é possível”, afirma Sandra. Tanto é possível que, explica Maria, 910 famílias terão suas casas no próximo ano em Santo André, num processo de ocupação similar ocorrido no Jardim Cristina e que contou com o apoio do Poder Público à época, em 2012.

“As moradias em Santo André foram construídas pelo programa Minha Casa Minha Vida Entidades. Porém aqui não há vontade política para resolver o problema. É uma irresponsabilidade que pode acabar num novo Pinheirinho”, alerta Maria, lembrando a violenta desocupação ocorrida em São José dos Campos, que feriu dezenas de pessoas. De acordo com reportagem do jornal Diário do Grande ABC o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, manifestou seu apoio apenas à PM para reintegração de posse da área, autorizada pela Justiça no último dia 6. “Estamos dando total suporte para que a ordem seja restabelecida”, disse Morando.

Além de se esquivar da negociação, a Prefeitura, segundo os ocupantes, também tem impedido a chegada de doações de alimentos e água, esse último, o bem mais escasso na ocupação. “A GCM e a CET dificultam a chegada dos carros que trazem as doações”, conta Sandra. Pelos cálculos da organização do Movimento, em cada família há de duas a quatro crianças, o que leva a um número médio de quase 20 mil. Segundo as coordenadoras, todas as doações são bem-vindas. O Sindicato, que tem acompanhado e apoiado a ação do MTST em São Bernardo, recebe as doações em sua sede, à rua Francisco Amaro 87, centro de Santo André (horário comercial).

Nesta quarta, 13, uma grande passeata da ocupação Povo sem Medo de São Bernardo deve ocorrer até o Paço de São Bernardo, com concentração no terreno a partir das 14h. A ideia é dar visibilidade e informar à sociedade o que está ocorrendo. “Apoiamos a ação do MTST porque moradia digna é um direito de todas as pessoas”, destaca o presidente do Sindicato, Belmiro Moreira.

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