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Bradesco deverá firmar acordo que estabelece medidas comportamentais; venda de ativos ainda não foi recomendada para aprovar operação O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) divulgou na sexta passada (1) um parecer em que recomenda a aprovação da compra do HSBC pelo Bradesco. A condição é que o banco se comprometa a adotar as medidas comportamentais descritas em Acordo de Controle de Concentrações (ACC), a ser firmado. O parecer favorável, porém, não coloca fim à análise que vem sendo feita pelo CADE, nem é decisivo para definir a compra. “O processo não se encerrou, e deve passar por outras instâncias do conselho. O Sindicato está acompanhando, sempre levando em consideração os efeitos sobre os trabalhadores”, destaca o presidente do Sindicato, Belmiro Moreira. O órgão não recomendou ainda a venda de ativos para aprovar a operação. Os termos do ACC preveem que o Bradesco adotará 16 medidas comportamentais. Entre elas está a facilitação da portabilidade de crédito e de salários, implementação de melhorias no atendimento aos clientes e nos índices de reclamação. Fonte: Jornal Valor Econômico, com edição

Movimento sindical divulga curta-metragem inspirado em Fígaro, o Barbeiro de Sevilha, na campanha pelo respeito à identidade visual dos bancários do Bradesco

A campanha para que os bancários do Bradesco tenham liberdade de exercer seu direito à individualidade, por meio de identidade visual, só cresce. Não é proibido usar barba. Nada consta nos normativos do banco. Nem poderia, porque configuraria prática discriminatória. Para incentivar ainda mais o desafio àqueles que desejam permanecer ou usar barba, o Sindicato dos Bancários de SP lançou um curta-metragem inspirado em Fígaro, o Barbeiro de Sevilha, ópera composta por Rossini e popularmente interpretada por Pavarotti. Por meio da tradicional irreverência, o que se busca expor problemas dos locais de trabalho, com o objetivo de dar voz aos bancários e defender os direitos da categoria. Em 2010, o Bradesco foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar indenização de R$ 100 mil, destinada ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), por discriminação estética a seus funcionários que usavam barba. Mesmo assim, no ano passado, um bancário foi demitido da instituição exatamente por esse motivo, apesar de o banco alegar que não foi essa a motivação para a dispensa. Clique aqui e assista ao vídeo.

Policiais do Bope e Gate foram convocados para “motivar” gerentes em reunião anual com presidente, no Workshop Brasil 2016; trabalhadores consideraram mensagem pesada e ofensiva O Bradesco, durante reunião anual de gerentes com o presidente do banco, encontrou uma forma “diferente” para motivar os trabalhadores. Em palestra com formato de talk show, os entrevistados foram o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro) Paulo Storani e Diógenes Lucca, um dos fundadores do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da PM de São Paulo). Acontece que a mensagem não agradou. Muitos bancários relataram ao Sindicato que consideraram o conteúdo pesado e ofensivo. Sob pretexto de que gerentes seriam a sua ´tropa de elite´, o Bradesco convocou estes palestrantes e gerou questionamentos como: podem militares motivar uma equipe de gerentes? Qual é a mensagem, a de que quando o bancário não está satisfeito com as condições de trabalho deve ´pedir pra sair´? Os trabalhadores também disseram que o banco entregou uma ´granada sem pino´, que não poderiam deixar cair, em alusão a uma cena do filme Tropa de Elite. E, como se não bastasse a “granada sem pino”, um dos vice-presidentes do Bradesco exibiu trecho do filme O Regresso, no qual o protagonista, interpretado por Leonardo Di Caprio, luta com um urso. A ideia foi igualmente mal recebida, pois os bancários viram nisso uma forma de motivá-los a ficar sempre no ataque, mesmo submetidos às condições de trabalho mais adversas. Números de elite – O resultado do Bradesco em 2015 realmente é algo “de cinema”. O banco fechou o ano com lucro de R$ 17,873 bilhões. Mesmo assim, cortou 2.659 vagas, encerrando 2015 com 92.861 empregados, 2.659 a menos que em 2014. O lucro líquido por empregado subiu 19,7% e a receita de tarifas por funcionário 10,7%. Já o número de clientes por empregado subiu 5,1%, de 637 em 2014 para 670 em 2015. No mesmo período foram fechadas 152 agências, o que representa uma redução de 3,26%. Ou seja, os bancários do Bradesco construíram lucro recorde em 2015, o segundo maior da história entre bancos no País, mas a instituição ganha cada vez mais com menos empregados. Se quisesse mesmo valorizar sua ´tropa de elite´, deveria melhorar salários e condições de trabalho. Fonte: Seeb SP, com edição

O Bradesco confirmou, nesta quinta-feira (28), para a Contraf-CUT que irá pagar a PLR na sexta-feira, dia 5 de fevereiro, véspera de carnaval. A PLR sem IR foi uma conquista da luta da categoria bancária – ao lado de petroleiros, químicos, metalúrgicos e urbanitários –, que resultou na Lei 12.832, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em junho de 2013.  

Fonte: Contraf-CUT

Sindicato acompanha processo e tem como prioridade a luta pela manutenção do emprego no HSBC O Banco Central confirmou na terça-feira, 5, por meio de sua assessoria de imprensa, que aprovou a compra do HSBC pelo Bradesco. A aprovação foi divulgada pelo portal da revista Exame. Segundo a notícia, a informação da autarquia é de  cabe agora às instituições executarem os atos previstos na legislação para que a operação seja concluída. O Sindicato está atento ao processo, tendo como prioridade a luta pela manutenção do emprego no HSBC. Ainda de acordo com a Exame, o BC informou que a aprovação também compreende a assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), que prevê o compartilhamento, com os clientes, de sinergias obtidas pela instituição compradora (Bradesco). O ACC incluiria assim a manutenção de valor de tarifas e de agências e também a melhora no atendimento de clientes. Esse acordo será fechado entre o BC e o Bradesco “nos próximos dias” e levará em conta as condições já acordadas. Um extrato do ACC devera ser divulgado “oportunamente”. O BC também aprovou a transformação da HSBC Leasing em banco de investimento, conforme divulgação feita no Diário Oficial da União. Essa empresa do HSBC não foi adquirida pelo Bradesco e o grupo HSBC Internacional continuará operando no Brasil com foco em atacado. O Bradesco anunciou a aquisição do HSBC em agosto do ano passado por US$ 5,2 bilhões. Além do BC as empresas esperam agora o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Fonte: Portal Exame

Paulo (nome fictício) é bancário do Bradesco há dez anos. Funcionário exemplar, era gerente de uma agência do interior de Pernambuco. Vinha com todas as metas batidas e boa produtividade, apesar das dificuldades da agência.


João (nome fictício) está no Bradesco há três anos. É lotado em Pernambuco, mas trabalha em um Posto de Atendimento no interior da Paraíba. Paulo e João são um casal. Foram demitidos no mesmo dia e quase na mesma hora, sem justa causa.

“Estamos certos de que foi um ato de homofobia. Não é a primeira vez que sou tratado de maneira diferente pelo gerente regional”, denuncia Paulo. Ele recebeu do próprio gerente regional a comunicação de seu desligamento. Uma equipe do Sindicato estava em visita à unidade e indagou se o motivo da demissão estaria ligado à homofobia. Mas o gerente regional preferiu desconversar.

Pouco depois de receber a notícia, Paulo ligou para seu companheiro. Descobriu que também ele tinha sido desligado do banco, no mesmo dia. “No posto em que trabalho, tem apenas duas pessoas. O gerente chegou a dizer que não queria me demitir e que eu era um excelente funcionário. Eram ordens do gerente regional”, conta João.

Os dois preferem usar nomes fictícios para evitar o excesso de exposição. Mas querem que todos fiquem sabendo sua história.

“Não queremos que outros passem pelo mesmo. Não queremos que o banco continue perpetuando esta prática de perseguir funcionários por conta de sua orientação sexual. Trabalhávamos em unidades diferentes e nosso relacionamento não interferia em nosso trabalho. Em quinze minutos, tivemos que revelar às nossas famílias tudo o que vínhamos omitindo há anos...”, desabafa Paulo.

Os dois receberam apoio da família, dos colegas e dos clientes.

Paulo – A demissão dos dois é o auge de uma história de homofobia que não começa por aí. Há vários anos, Paulo recebe tratamento diferenciado por parte de alguns superiores. Nas reuniões presenciais ou por áudio-conferência, eram sempre reservadas para ele as palavras mais duras, ainda que ele cumprisse as metas e mantivesse a produtividade, apesar das dificuldades da agência.

“Tínhamos três funcionários para dar conta da demanda de seis cidades. Não tínhamos Gerente Pessoa Física nem Gerente Pessoa Jurídica. Eu cumpria todas as funções”, relata Paulo.

Ele conta que recebeu vários e-mails cobrando o cumprimento do orçamento, que já vinha sendo cumprido. “Eu ia lá, conferia várias vezes a planilha e via que estávamos cumprindo tudo. Não entendia o porquê das cobranças”, diz.

Antes de chegar à unidade em que era gerente quando foi demitido, Paulo passou por seis outras agências, sempre cumprindo suas funções com excelência. Mas seu pedido, de voltar para o Ceará, nunca foi atendido.

“Quando me transferiram de Fortaleza para Pernambuco, disseram que seria apenas por um ano. Deixei minha mãe e família no Ceará. Anos depois desse prazo, entrei em contato com Fortaleza e soube que havia vagas e eles me queriam lá. Mas o gerente regional não aprovou minha transferência. Dois outros colegas conseguiram retornar, só eu que não”, denuncia.

Em sua terra, a mãe adoeceu, com sintomas de depressão. “Eu ia lá sempre que podia, mas era difícil. Com tudo isso, acabei adoecendo também. Mas nem com atestados eu podia me ausentar”, diz Paulo.

Na Paraíba, onde ele trabalhou durante algum tempo, o funcionário não conseguia gozar nem os feriados do estado e nem os de Pernambuco. “Lá é feriado no Dia do Bancário, por exemplo. E só eu ficava trabalhando”, conta.

João - Paulo e João não se conheciam quando João começou a trabalhar no Bradesco. Indicado por um funcionário de outra cidade, ele passou por provas para contratação, junto com outras três pessoas. Sua admissão foi decisão do Conselho de Recursos Humanos. Mas, quando os dois começaram a se relacionar, João optou por pedir transferência, para resguardar sua vida pessoal e evitar qualquer interferência no trabalho.

Passou a trabalhar em um PAA no interior da Paraíba, ainda que lotado em Pernambuco. Mas sua carteira profissional nunca foi assinada. “Em meu posto, diziam que deveria ser assinada pela agência de Pernambuco. Em Pernambuco, diziam o contrário”, relata João.

Diferentemente de Paulo, João sempre foi bem tratado no posto em que trabalhava e nunca sentiu diferença. Até a demissão.

Ação do Sindicato - Segundo a advogada Márcia Santos, que presta serviços ao Sindicato, o primeiro passo é garantir a reintegração dos trabalhadores. Depois, os bancários vão buscar o ressarcimento pelos danos morais na Justiça.

Fonte: Seeb Pernambuco