terça-feira , 24 de maio de 2016
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100 mil marcham contra impeachment na Paulista

Mobilização desta quarta, 16, tomou conta das ruas e das redes sociais

  ´Não vai ter golpe!´ ´Fora Cunha! ´Fica, Dilma!´ Essas foram as principais palavras de ordem que ecoaram nesta quarta, 16, pelas ruas de várias cidades do Brasil. Em São Paulo, a avenida Paulista ficou tomada por uma multidão – cerca de 100 mil pessoas - que protestaram contra a tentativa de golpe com o impeachment da presidenta Dilma, um verdadeiro atentado à democracia brasileira. Um impeachment orquestrado, porta de entrada para que o país mergulhe num período de ataques aos direitos dos trabalhadores e cidadãos.

A CUT, centrais e movimentos sociais se organizaram para defender, em primeiro lugar, esse conceito de democracia. E o Sindicato dos Bancários do ABC estava presente, já que, quando se fala em golpe, o significado é simples: segundo os mais renomados juristas do Brasil, não há base jurídica para que um impeachment ocorra, porque contra Dilma não há  nenhuma acusação de crime, um cenário bem diferente do que levou ao pedido de impedimento do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, acusado de corrupção passiva e ativa, entre outros crimes.

Durante a manifestação na Paulista, o presidente da CUT nacional, Vagner Freitas reforçou a contrariedade ao golpe de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de setores que não aceitaram ainda o resultado popular. “Estamos aqui para pedir o ‘Fora Cunha!’, que é uma excrescência, um desqualificado na presidência da Câmara dos Deputados, e para pedir o fim do ajuste fiscal e a mudança da política econômica. O golpista que quer tirar Dilma é o mesmo que quer rasgar a CLT, acabar com a Previdência por tempo de serviço, o mesmo que não tolera o direito dos negros e das mulheres. Somos contra o impeachment, mas nosso cheque não é em branco, queremos a Dilma que nós elegemos”, afirmou. O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, avaliou que governo Dilma precisa mudar a forma como tem conduzido a economia brasileira. “O ajuste fiscal está levando o País para a recessão e para o desemprego. Não aceitamos medidas como cortes nos programas sociais na moradia e na educação. É preciso que o governo que foi eleito governe”, pontuou.

Já o presidente da CTB, Adilson Araújo, lembrou que aqueles que arquitetam o impeachment são os mesmos que, no passado, se curvaram aos interesses econômicos de países como os Estados Unidos. Os mesmos que entregaram o patrimônio brasileiro ao capital privado. E que hoje, aponta, falam em corrupção. Para o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, a resistência é a resposta da sociedade organizada e de trabalhadores e de trabalhadoras contra o golpismo. “Permanecemos nas ruas porque existe um setor que não aceita a decisão das urnas. O que está sendo feito pela oposição no Brasil não se trata de um movimento democrático de impeachment, se trata de não reconhecer a vitória de Dilma, sobre a qual nenhum crime pesa. A elite brasileira não aceita as mudanças que ocorreram no Brasil”.

Não há pacto com golpistas - Do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro apontou como caminhos a politização da sociedade e o trabalho de base. “Espero que seja definitivo colocar uma pá de cal neste impeachment. O povo brasileiro tem outra pauta pra discutir, a de reformas estruturais, de não retrocesso dos direitos sociais conquistados”. Em referência aos grupos que saíram às ruas no último domingo (13), o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, comemorou a quantidade de participantes na marcha. “A gente não precisa botar pato (em referência à campanha da Fiesp - Federação das Indústrias de São Paulo) pra encher a Avenida Paulista. Aqui a gente enche com o povo. É bom lembrar que impeachment é também fruto da hipocrisia do PSDB. Afinal, quem é o enhor Fernando Henrique Cardoso para falar de pedalada fiscal?”,questionou.

Coordenador Estadual da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim também representou os sem-teto. “O nosso lado é o da classe trabalhadora e não aceitaremos que a ´Casa Grande´ venha se impor”, afirmou. Raimundo lembrou, ainda, da luta dos secundaristas em defesa da escola pública em São Paulo e da solidariedade da luta feita pelo Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo. “Se no cenário nacional temos Cunha, aqui em São Paulo temos o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que deve ainda responder sobre a violência contra estudantes e professores. Inclusive, se ele não recuar de vez faremos novas mobilizações em 2016 contra o fechamento das escolas paulistas”, alertou. Presidenta da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral também enfatizou a luta empreendida pelos secundaristas no estado paulista e mandou um recado aos parlamentares que incentivam a saída de Dilma. “Sabemos bem que pra ter impeachment precisa haver crime de responsabilidade. Estamos ao lado da democracia e da legalidade e somos contra de este golpe. Não vamos compactuar com Cunha e sua chantagem. Ele deve sair imediatamente da Câmara dos Deputados”.

Para o representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Flávio Jorge, há um golpe institucional sendo aplicado, que representa a perda de direitos para diversos segmentos, especialmente para aqueles que historicamente foram excluídos. “Nós, negros e negras, sabemos o que isso representa para a nossa população. Os mesmos que defendem impeachment são aqueles que querem retirar direitos já conquistados”, lamentou.

Mobilizações não terminam por aqui – Em Brasília, a concentração contra o impeachment começou no fim da tarde e reuniu milhares no estádio Mané Garrincha. Mais cedo, porém, com a Constituição Cidadã nas mãos e o grito de “não vai ter golpe!”, deputadas, senadoras e mulheres dos movimentos sindical e sociais reuniram-se no Salão Verde da Câmara dos Deputados para apresentar mais uma frente de resistência ao golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. As parlamentares do PT, PCdoB, PR e PDT se uniram a lideranças de organizações como a CUT, Marcha Mundial de Mulheres e a Marcha das Mulheres Negras para falar sobre a ausência de provas para um impeachment de Dilma e sobre os retrocessos que tomaram conta do Congresso com Eduardo Cunha à frente da Câmara.

Algumas entidades, como a Marcha Mundial de Mulheres, não puderam participar da atividade porque, como acontece desde o início da gestão Cunha, foram barradas na porta da Casa. Isso, porém, não impediu de deixar claro que a vida dos golpistas não será nada fácil. As manifestações dessa quarta-feira ocorreram em vários estados brasileiros e superaram em número de participantes as do último domingo, o que confirma que o povo brasileiro não quer romper com a democracia no Brasil. As mobilizações contra o golpe e em defesa da democracia prosseguirão até que o processo de impeachment seja definitivamente enterrado.

Fontes: CUT nacional (reportagem de André Accarini, Érica Aragão, Luiz Carvalho e Vanessa Ramos), com Redação